A noite de São Paulo é inspiradora! Traz nostalgias sem que nem saibamos do que sentimos falta. Traz risos, mesmo que momentâneos ou forçados e traz conversas legais com pessoas totalmente desconhecidas.
E foi em uma dessas noites alternativas, estranhas, interessantes que eu o vi.
Mas calma aí, eu não vou contar um romance.Eu sei que isso não existe mesmo.
Não houve uma olhada intensa, nem nada que fizesse a pessoa ao meu lado estremecer, afinal, fila de balada é igual a pessoas e mais pessoas, olhares e mais olhares.
E esse “ser” ao meu lado não era ninguém que me fizesse bancar a madre, então pensei: "foda-se!"
Eu não tinha culpa por ele ter entendido minha simpatia como um: “oi amor quer sair?”.
Ele me conhecia há anos, era amigo de um ex, já deveria me conhecer pra saber que sou direta. Ai, homens...
Enfim, lá dentro eu já estava acompanhada (com o meu copo) e num lugar estratégico (a porta do bar). Eu já tinha dito qual era o meu intuito!
Gosto de observar as pessoas e, observei também que a pessoa que deveria estar comigo, tinha me deixado. Ah, legal! Sair à dois quando não há interesse recíproco já é desconfortável, ainda mais quando o cara larga uma dama na porta de um bar sozinha com o copo não mão. Aí já é demais.
Um grupo dança, o outro conversa, na fila do banheiro, vômitos... "Onde está o desgraçado do Felipe?"
Depois de uns minutos, surge ele, e atrás dele...ELE! Pensei: "que porra de bebida é essa?"
Mas não!
Era mesmo o “tal” lá da fila!
Uma coisa na qual me destaco muito é na falta de sorte. Fato! Eles eram amigos. A-M-I-G-O-S.
Odiei-me por infinitos segundos, mas então pensei de novo: "foda-se!"
Usei minha simpatia, agora sim com a mensagem subliminar inserida, e conversamos a noite toda.
Meu amigo, coitado, sacou o clima. Mas PORRA, que hora que eu falei que estava interessada nele mesmo?
Mas depois de muitas bebidas, risos e conversas, a noite acabou. E nada, além de muita expectativas, rolou.
No outro dia, o Felipe foi em casa me contar sobre o tal “amigo-gato-da-balada”, e falou do interesse que ele, agora com o nome Julio, sentiu por mim.
Fiquei feliz, mas percebi o quanto eu magoaria aquele “filho-da-puta-iludido-do-caralho”, e disfarcei, falando que não rolaria.
Zero pontos pra mim. Sentir pena é um lixo.
O amigo do meu amigo, agora meu amigo também, sempre saí com a gente, e eu, com um cinto de castidade e ainda muito simpática, só consegui o que eu não queria: dois filhos-da-puta-iludidos-do-caralho me impedindo de dividir um olhar, uma bebida e um sorriso numa noite alternativa com alguém interessante em São Paulo.
(Texto de Barbara Romero)
até a proxima postagem.
Victor Von Serran


